sábado, 28 de dezembro de 2024

Knowle West: onde as casas podem falar

Criado nos anos 1930 para famílias de baixa renda de Bristol, bairro chama atenção pela personalidade das casas em meio a arquitetura padronizada

Texto e fotos: Leon Carelli

Apesar de se apresentarem em esqueletos praticamente indistinguíveis, as casas de Knowle West, assim como os seres humanos, trazem cada uma sua individualidade e impressões digitais, roupagens e acessórios que podem variar de acordo com a estação, além das marcas que foram adquirindo ao longo dos quase cem anos de idade. O conjunto foi criado em 1930 numa área até então predominantemente rural, mesmo ficando menos de quatro quilômetros distante do centro da cidade de Bristol, uma das maiores da região sudoeste da Inglaterra. Numa primeira impressão você se sente imerso num infinito mar de casas iguais. Dentro de um carro – principalmente em retas e longas avenidas como a Illminster que segue por 1,1 quilômetro desde a Melvin Square até a Airport Road, próxima ao parque Hengrove – elas (as casas) vão passando e se mostrando pela janela uma após a outra com seus padrões triangulares repetitivos no tom terroso predominante de seus tijolinhos, com alguns contrastes de luz que vem das construções que foram tingidas de alguma outra cor no decorrer do século.

Nas primeiras caminhadas talvez seja preciso recorrer ao GPS devido à sensação de se perder em meio ao labirinto de casas que se apresentam em formatos correspondentes, algumas espalhadas em ruas sem saída, agrupadas não só em retas e quadrados, mas também no que é definido pela arquitetura como cul-de-sacs: basicamente vielas que terminam em um círculo de casas. Tal estilo pode ser visto facilmente em Goiânia no Setor Sul, em alguns bairros da região Leste, ou com uma roupagem mais rústica no Setor Criméia Oeste ou no Parque Tremendão. Se você percorrer o Knowle West seguindo o fluxo de algumas ruas, pode demorar um bom tempo para perceber que está andando em círculos. Até que alguma das casas comece a se diferenciar das outras por conta de alguma cor ou adereço e a conversar com você, pois já te viu passar pela segunda ou terceira vez por ali. É nesse momento que é possível ouvir o tom de voz de cada uma das casas, e você começa a perceber que elas não se comportam apenas como réplicas em de um modelo comum. Algumas são bem mais visíveis que outras, que parecem até mesmo fazer questão de se esconder entre as vizinhas. Algumas são tão parecidas que é preciso olhar com calma para não confundir. No fim, todas elas falam, ou fazem silêncio na imensidão da madrugada ou na escuridão do inverno.


A quietude da estação mais fria do ano pode no entanto mudar durante as madrugadas de natal, quando as casas colocam seus trajes especiais para criar um dos shows de luzes mais impressionantes de Bristol. O espetáculo vem diminuindo ao longo dos anos, principalmente depois da crise elétrica e do que eles chamam de “crise do custo de vida”, que começou a impactar os lares quando acontecimentos como a saída do Reino Unido da União Europeia e a guerra entre Rússia e Ucrânia passaram a moldar a situação econômica do país, que ainda se via mergulhado nos efeitos da pandemia de Covid-19. Nesse período, a dependência energética de alguns países da Europa em relação ao antigo dono da União Soviética passou a ser sentida literalmente na pele da população, principalmente no inverno, quando as casas costumam contar com aquecedores ligados. 


A criação do Knowle West é contemporânea ao “Slum clearance”, ou “limpeza de favelas” no Reino Unido, momento da história em que o governo passou a realizar uma série de desocupações visando repaginar alguns locais estratégicos de grandes cidades. Isso começou na década de 1930 e ganhou força nos anos que seguem o fim da Segunda Guerra Mundial. O setor foi planejado seguindo os moldes do movimento “Cidade Jardim”: onde casas, população e natureza devem conviver em harmonia, priorizando a abundância de ar fresco e luz solar. 

De acordo com o Bristol City Concil, o conselho municipal da cidade, o conjunto está espalhado por uma área de 3,3 quilômetros quadrados, conta com 100 ruas, 4,475 residências e cerca de 15 mil habitantes. Cada prédio ou “casarão” abriga um certo número de famílias a depender do tamanho de sua estrutura. Alguns comportam 2, outros 4, mas mesmo com tal divergência, seguem discretos na paisagem. “O conjunto foi desenvolvido para proporcionar casas novas e condições de vida mais saudáveis às grandes famílias que precisavam ser realocadas do centro de Bristol”. A principal reclamação de quem mora no bairro é a falta de grandes supermercados nas proximidades, sendo as tradicionais “lojinhas dos indianos” (pequenas mercearias com o preço mais salgado que o normal) a opção mais recorrente quando você precisa apenas de um litro de leite ou uma lata de milho.


Diferentemente das luzes modernistas de natal no centro de Bristol, os pisca-piscas continuam sendo tendência em Knowle West, junto com bonecos infláveis de Papai Noel, renas e letreiros coloridos que desejam aos que passam pelas ruas o cultivo do espírito natalino. Além do formato retrô das casas, a expressividade analógica dos enfeites parece nos transportar de volta ao final do século XX. Algumas luzes dizem “Merry Christmas, “ho ho ho”, outras convidam a entrada do bom velhinho com seu saco de presentes e vestes em vermelho e branco: “Santa, stop here!”. Fadas, flores e árvores de natal. Bonecos de neve e estrelas cadentes. As luzes iluminam as noites e os gatos domésticos investigam tudo nos arredores de seus territórios. Por ser um ambiente quase completamente residencial, não existe grande fluxo de pessoas e carros de fora do cotidiano, como acontece nas áreas de comércio da cidade – o que para os gatos é uma boa, pois correm menos risco de serem atropelados (em outras regiões da cidade não é muito comum vê-los soltos pelas ruas). 

Fui morador de Knowle West durante dois períodos. O primeiro entre dezembro de 2020 e de abril de 2021 e o segundo entre novembro de 2021 fevereiro de 2022. Durante cerca de oito meses essas casas estavam estampadas no horizonte por boa parte do meu dia, assim como os carros na beirada das calçadas. Faça chuva, sol ou neve, as ruas estão sempre cheias de carros estacionados. Diferente de Goiânia, onde eu conseguia evitar carros nas fotos escolhendo o horário entre 6  e 7 da manhã de domingo quando o Sol começava a aparecer e as calçadas e ruas (ou partes consideráveis delas) ainda estavam vazias de veículos, aqui não seria possível não mostrá-los pois eles estão sempre expostos. Não existe uma grande preocupação por parte dos donos em deixá-los na rua, e é lá que eles passam boa parte da vida. 

As garagens cobertas não existem em Knowle West, nem muros, só algumas muretas que limitam a calçada dos jardins. Um morador ou outro decide abrir mão da área verde para pavimentar e transformar em garagem, mas é melhor estacionar na rua e não correr o risco de outro carro parar atrás de você, dificultando sua saída. Por aqui as cores dos automóveis são mais diversificadas que em Goiânia. Vários tons de azul, verde e vermelho, modelos dos anos 2000 seguem em alta e alguns modelos e marcas comuns no Brasil podem ter um nome diferente por aqui. A relação entre humanos e seus veículos parece ter um sentido bem diferente da que existe no Brasil. 


A região encontra-se relativamente bem servida de transporte público. A linha mais popular, a M1, liga o bairro ao Imperial Park – centro comercial mais próximo – e ao centro da cidade, cortando Bedminster, uma espécie de Setor Campinas de Bristol, onde é possível comprar e vender ouro ou ter acesso aos mais variados utensílios made in China. A linha do ônibus corta a Filwood Broadway, uma das principais vias de Knowle West, e ainda passa pela Inns Court – local onde existem ruínas de uma fazenda medieval. Depois do centro, o ônibus M1 segue seu extenso trajeto até os confins de Bristol, encerrando no shopping Cribbs Causeway. Várias outras linhas, como a 74, 75 e 76 têm como destino o Hengrove Park que fica a cerca de 15 minutos a pé da Melvin Square. O parque possui um grande playground para crianças e durante as tardes dezenas de cães são levados por seus donos para gastar ali um pouco de sua energia. Quando está escuro eles usam coleiras fluorescentes para que sejam facilmente localizados. No inverno, quando escurece, depois das 16h, o parque costuma ficar totalmente vazio. Foi nesse parque que senti pela primeira vez a sensação de estar completamente sozinho em um local público. Naquela tarde de dezembro, às 17h, ninguém além de mim teve a ideia de dar uma volta pelo Hengrove.



Além de falarem, as casas de Knowle West emitem outros tipos de sons. A paisagem desse local peculiar foi imprescindível para a síntese do gênero trip-hop, que de acordo com a descrição do site RYM, “Evoca uma atmosfera surreal, alucinante, onírica e às vezes sombria com arranhões inusitados no toca-discos, melodias vocais leves e batidas influenciadas pelo Hip Hop”. Hoje o gênero é mundialmente conhecido através de bandas como Portishead, Massive Attack e o músico Tricky: esse último, um dos principais precursores do ritmo, viveu boa parte de sua vida no bairro. Além de contribuir para a existência do mais célebre álbum da banda Massive Attack, “Mezzanine”, ele também lançou em 2008 “Kowle West Boy”, onde cria uma colagem de sons, melodias e vozes que captam uma atmosfera que remete às imersivas ruas de Knowle West.







quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Do topo da floresta de Kingswood

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Um passeio por Troopers Hill: colina em meio a reserva natural na região leste de Bristol


(FOTOS:LEON CARELLI)


POR LEON CARELLI


Com um dos pores do sol mais espetaculares de Bristol, mais de 24 espécies de borboletas e uma gigantesca chaminé do século XVIII que se tornou elemento marcante da paisagem, Troopers Hill é um local repleto de história e natureza. A exploração da região pela sociedade inglesa – desde onde se tem registro – se deu por volta dos anos 1600, primeiro como cenário para caça da alta realeza, depois como ponto estratégico durante a Guerra Civil britânica – pois nela enxerga-se boa parte da cidade. A chaminé é remanescente da casa de máquinas de uma usina de carvão e argila, e de lá também foi extraído cobre por volta de 1700. Na configuração atual de Bristol, representa um espaço de lazer e de preservação ambiental onde é possível se exercitar, passear os cachorros, observar a vista, dentre outras coisas.


Há quem conte – e apresente fotos – da presença de veados na região, comumente avistados por perto das margens do Rio Avon. Seriam descendentes daqueles que sobreviveram à caça esportiva da nobreza no período mencionado acima. As raposas, um pouco mais comuns, são vistas durante a noite em locais silenciosos (de longe pois não são muito apreciadoras da presença humana) . Foi um local que frequentei bastante quando morava num bairro chamado Saint George durante 2022. Da minha casa até o topo da chaminé era uma caminhada de menos de meia hora, passando por algumas trilhas em meio à mata fechada. O local, hoje oficialmente uma reserva verde, foi comprado pelo conselho municipal para que fosse usufruído pelos moradores locais em 1956. Apesar do crescimento acelerado de Bristol na época, suas imensas ladeiras e resquícios de pedras acabaram afastando as construtoras, promovendo a manutenção da mata fechada e consequentemente da vida selvagem, o que em 1995 garantiu à colina o status de área de preservação ambiental permanente.



Church Road, Bristol


SÃO JORGE


Apesar de ser peculiar por sua própria natureza, que sobrevive no meio da cidade grande, Troopers’ Hill também chama a atenção pelas trilhas que se desenham entrelaçadas como labirintos. Algumas se mostram como descidas íngremes, um tanto assustadoras (verdadeiros buracos) pois é impossível saber antecipadamente onde terminam, todas cercadas por uma infinidade de árvores. Em determinado momento da caminhada, passamos em meio a um lote que funciona como fazenda urbana. Lá encontramos placas que indicam a direção dos campos de morangos, fruta comum em praticamente toda a Inglaterra. Próximo à chaminé, um pouco antes do mirante, foi instalado um parque, com um imenso campo de esportes, um playground, e aparelhos de academia ao ar livre. O site “troopers-hill.org.uk” traz com detalhes a história da famosa Chaminé, que está conectada por um duto até a base próxima do rio. As fundições acessíveis pela porta de tijolinhos da construção histórica ainda pode ser acessada, de acordo com o site, como um “mergulho no chão”. 


Minha passagem mais recente pelo local foi em abril de 2024, depois de uma extensa caminhada do centro. Próximo da colina, também na zona conhecida como BS5 (devido ao código postal) também podemos encontrar o Saint George’s Park, com seu lago recém reformado cheio de patos nadando, sua biblioteca pública e seus personagens marcantes da vizinhança, como a conhecida Candy, natural do Zimbabwe e radicada na Alemanha. Ela sempre me perguntava como eu conseguia ficar em casa quando era verão e estava muito quente. O ponto de ônibus ficava exatamente na porta do meu prédio e nos horários de pico estava sempre lotado. Às vezes as pessoas aguardavam sentadas na calçada que tinha em frente à porta principal, e as motos dos entregadores de comida estacionadas em frente à janela de um dos moradores (para que não fossem roubadas) ajudavam a deixar o local ainda mais cheio.

 

Entre o Parque e o ponto de ônibus, temos a movimentada Church Road, que abriga várias linhas de ônibus (42, 43, 44, 45). Todas elas começam no Centro, que fica praticamente em linha reta de St. George, passando pela Lawrence Hill Station, uma das principais estações de trem de Bristol. A região é bastante escolhida por imigrantes, e a avenida possui cafés e restaurantes das mais variadas origens. Se seguimos um pouco em direção ao fim da cidade, temos uma fonte histórica, a Saint George’s Fountain, onde a rua muda de nome para Clouds Hill Road (em tradução literal, Rua Colina das Nuvens – o que explica a subida, aliás, esse lugar é cheio de inclinações o tempo todo) e dali pra frente segue até o fim da cidade, onde se transforma na rodovia A420 que termina em um trevo que oferece caminho para Bath ou Swindon, cidades próximas de bristol (a última inclusive é onde mora atualmente a ex atriz da globo Ana Paula Arósio, escondida no meio das fazendas).


Chaminé de Troppers Hill


A TRILHA


Além da saída principal já mencionada, o prédio onde eu morava possui uma garagem como saída alternativa que dava para a Beaconsfield Road, rua residencial pela qual não precisamos andar mais de dois minutos para avistar uma grande construção com o letreiro “The Boots Factory”, uma antiga fábrica de sapatos que teve suas instalações intrigantemente convertidas em um conjunto de flats residenciais, mantendo as características históricas do prédio que remete à Revolução Industrial. Em frente a ela, atravessando a Beaufort Road, o pacato Cemitério de Avonview, que abriga uma soturna sessão dedicada aos combatentes da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, que fica no fim de um extenso corredor, em um dos cantos do terreno. Por ali, um mar de túmulos, alguns datados do século XIX, uma discreta capela e de acordo com um dos comentários deixados na página do google do local, “ótimas vistas de Bristol”.  Cruzamos a rua, e a partir de agora as coisas ficam ainda mais interessantes.


Uma bifurcação nos apresenta duas trilhas estreitas. Na primeira vez me questionei se elas serviam mesmo para acesso do público, mas uma pessoa com um cachorro fazendo o trajeto oposto me deu indícios de que era mesmo por ali, assim como dizia o GPS. Um dos caminhos, a Strawberry Lane, acompanha por uns 10 minutos (andando rápido) uma eterna ladeira com vários degraus e desemboca na estranha Crews Hole Road, literalmente às margens do Rio Avon. É um lugar que não recomendo para pedestres, pois não existem calçadas. Além disso, uma ponte meio assustadora e carros passando em alta velocidade. A passagem pela Strawberry Lane é como estar num filme de suspense. Até o cheiro, mesmo próximo da mata, não é agradável pois a pista faz divisa com o muro de uma fábrica de tintas possuído pelo mofo devido à grande umidade. Mas não é nela que devemos ir para chegar ao topo de Troopers’ Hill. O outro braço da bifurcação, aparentemente sem nome mas mil vezes mais agradável e convidativo, corta a verdadeira plantação, num espaço chamado de Jardim Comunitário da Pista do Morango (tradução livre). 


Por enquanto ainda não estamos na mata densa e enquanto passamos pela trilha, o que vemos dos dois lados é uma cerca quadriculada que divide a passagem do que na minha percepção parecem ser várias hortas, algumas cobertas como estufas. É por ali que se encontram as plaquinhas com pinturas de morango e setas que apontam para a direção deles. Pés de amora carregados com a fruta – um pouco mais carnuda do que a que encontramos em Goiânia – também habitam o espaço entrelaçadas à cerca. Outras criaturas bastante comuns são as borboletas. Em Troopers’ Hill são mais de 24 espécies: Marble White, Common Blue, Essex Skipper, Speckled Wood, entre outras. Temos ainda o caso da Grayling Butterfly, que segundo o site dedicado ao espaço, parece infelizmente ter sido extintas há algumas décadas. “Infelizmente elas não são registradas na Colina desde o Verão de 1996. Pode ser que o grande incêndio na Colina em 1995 tenha reduzido a sua população de modo que atingiu um número insuficiente para a manutenção da colônia”.



FLORESTA


A primeira pista termina num pátio pavimentado, em meio a um conjunto de casas. Neste espaço vemos a placa que anuncia a Lamb Hill, segunda e última trilha da caminhada. Por aqui seguimos em meio à densa mata fechada. Depois de alguns metros já avistamos um dos pontos turísticos: um tronco deitado que serve para descansar as pernas e respirar em meio à natureza. Dependendo da época, flores com pétalas de cor lilás e amarelo se espalham pelos canteiros do caminho.


Enquanto passamos pela mata densa somos surpreendidos por charmosas porteiras de madeira, parecem estar ali para que ciclistas diminuam a velocidade e acidentes sejam evitados. Ao final da Lamb Hill, chegamos ao playground, último ponto antes da chaminé, depois de uma última subida. A paisagem do topo é mais ou menos assim: esse imenso cilindro de pedras estático em meio aos banquinhos de ferro, cada um com uma placa dedicada a uma pessoa já falecida. A visão dali para Crew’s Hole – o bairro residencial mais próximo da colina, mostra as trilhas brigando com as ladeiras, e ao fundo várias casinhas, algumas literalmente dentro da mata. Os pedestres realmente transitam diariamente por ali, subindo e descendo, com mochilas, cachorros e uniformes, o tempo todo, é parte comum da rotina. Crew’s Hole também evoca um pouco da história da Revolução industrial do Reino Unido, sendo usado a partir de 1810 como cenário para a mineração. Em 1843, aos pés da colina, o famoso engenheiro Brunel instalou uma fábrica de destilação de alcatrão para extrair creosoto, um componente químico que servia como conservante das peças de madeira utilizadas na construção das linhas férreas – peças fundamentais no desenvolvimento industrial do Reino Unido.


No ponto mais alto da floresta de Kingswood, quando já está perto do sol se pôr é bastante comum que todos os bancos, mais ou menos cinco ou seis, já estejam ocupados, e no verão e na primavera, as pessoas ficam espalhadas pela grama, alguns com sua JBL tocando quase sempre música eletrônica, outros com seus cigarros, tradicionais ou eletrônicos, os cachorros quase sempre presentes, sem mencionar os turistas que vêm de todas as partes do mundo parar aqui, cada um com seu ponto de interesse: a guerra, a indústria, a natureza selvagem, a paisagem. Em um dia desses, no topo da colina, dava pra ver o tradicional festival de balões, que contrastavam com o azul do céu e da imensidão que se enxerga em Troopers Hill. Juntamente com o sol se encaminhando para a linha do horizonte e a mata que segue por um longo caminho às margens do rio Avon, temos uma das experiências sensoriais mais impressionantes da real personalidade de Bristol.